-----A CHEGADA DOS FRADES LOMBARDOS E O TRABALHO NA EDUCAÇÃO DOS INDIOS

----A vinda dos capuchinhos lombardos ao Brasil foi preparada mediante pedido do governo da Nova República que, não obstante o regime de separação entre Igreja e Estado, reclamava a presença dos missionários para iniciar Missões Indígenas ao longo do rio Amazonas.
---Tendo aceitado o convite da cúria geral a província de Milão assume a missão entre os índios. ---No dia 1º de abril de 1892 embarcaram em Gênova para Recife os seis primeiros frades. O grupo é fortalecido com a chegada de Fr. Martinho Olearo e de Fr. Afonso de Castel di Lecco, chegado ao Recife no dia de Natal de l892.
---Alguns acontecimentos imprevistos acabam por modificar os projetos iniciais, encaminhando o pequeno grupo de frades para outra atividade. Fr. Carlos tendo contato com o bispo de São Luís, D. Antônio Alvarenga, cuja diocese abrangia os estados do Maranhão e do Piauí, recebe fr. Carlos e oferece-lhe apoio e incentivo, confiando-lhe várias tarefas na diocese.
---O apoio encontrado em São Luís, torna-se para Fr. Carlos a condição ideal para poder esclarecer e programar a missão indígena que tanto desejava.
---Fr. Carlos começa a esboçar um plano de catequese indígena e chega à conclusão que, para realizá-lo, a maneira mais viável é aceitar a assistência pastoral de paróquias localizadas perto de aldeias de modo que sirvam como ponto de apoio para fecundo trabalho junto aos índios. Pensa-se, portanto, em Barra do Corda e em Turiaçu como lugares mais favoráveis.
---O ministro geral, com o decreto de 12 de maio de 1894, aprova esse projeto, criando a “Missão do Maranhão” da qual Fr. Carlos é nomeado primeiro superior regular. Inspirados no seu programa de uma pastoral indígena que se desenvolva tendo como ponto de apoio paróquias situadas perto das aldeias, Fr. Carlos no mês de Abril de 1894 chega à Barra do Corda antiga sede paroquial a muitos anos sem pároco.
---Fr. Carlos preocupa-se com a pastoral indígena, o primeiro passo é a fundação de um colégio para a educação dos filhos dos índios na mesma cidade de Barra do Corda, a inauguração ocorre no mês de junho de 1895.
---Apresenta-se, porém, a necessidade de integrar esta iniciativa com um colégio para meninas, para este segundo projeto nascem sérias dificuldades. Em primeiro lugar a maior resistência dos índios em entregar aos frades as suas filhas, acrescente-se logo o problema de encontrar e garantir os meios suficientes para o sustento das duas instituições e como conseguir a colaboração de uma comunidade de irmãs para a educação das meninas que, afinal das contas, era mais oportuno situar perto das aldeias.
---Eis então Fr. Carlos pensar numa Colônia Agrícola no meio das aldeias que possa ser ao mesmo tempo ponto de referência para a evangelização dos índios e centro agrícola capaz de oferecer meios de sustento ao futuro colégio feminino.
---O projeto começa a se concretizar com a aquisição de um terreno em Alto Alegre a meio caminho entre Barra do Corda e Grajaú, propriedade que vem sucessivamente ampliada com outro terreno que o Governador do Estado cede para essa finalidade.
---No dia 1º de junho é inaugurada a Colônia de Alto Alegre, confiada no começo a Fr. Rinaldo, Fr. Celso e Fr. Salvador. Mais tarde também Fr. Vítor vai se unir ao corajoso grupo na tentativa de abrir no meio da mata um centro agrícola que se torne também lugar de encontro e de evangelização para os índios.
---A “colônia” em Alto Alegre colocada bem no centro das aldeias, queria ser ponto privilegiado de civilização. Para alcançar esta finalidade os missionários colocavam suas energias e esperanças no Colégio para meninos índios tal como funcionava em Barra do Corda e no colégio para meninas índias que seria iniciada em Alto Alegre.
---No dia 26 de junho de 1898, depois de aventurosa viagem de quase dois meses, chegam a Alto Alegre provindo de Montevidéu, seis Irmãs Terceiras Capuchinhas, acompanhadas da própria Madre Fundadora, Madre Francisca Rubato. Em São Luis ao pequeno grupo une-se uma postulante brasileira atraída pelo elevado ideal de doação. A presença das Irmãs permite logo o funcionamento de um internato para as meninas índias que em escala menor já fora encaminhado pela Senhora Carlotta de Barra do Corda. Segundo CUTTER (1993, p. 56) um novo impulso veio à colônia com implantação do projetável colégio para as meninas índias e com seu funcionamento com a já referida chegada das irmãs terciárias capuchinhas de Gênova, Itália.
Iniciava-se assim no coração da floresta maranhense o instituto indígena feminino de “São José da Providencia” sendo uma das primeiras tentativas desse gênero na história da catequese brasileira e que em pouco tempo foi se afirmando e prosperando. De julho a dezembro de 1899, o número das meninas índias chegou a quarenta. A obra das Irmãs revela-se preciosa não somente pelos trabalhos acima referidos, mas também pelo ponto de vista das relações que logo se tornam mais serenas e cordiais. Ao Colégio acrescenta-se uma escola externa e um conjunto de ambientes para as outras atividades de evangelização e de promoção humana.
---No fim de 1900 parecia, pois, que a colônia gozar-se de paz e tranqüilidade e que também as relações com os índios nas aldeias circunvizinhas era pacífica tratava-se, porém de calma aparente.
---Infelizmente, no dia 13 de março de 1901 os temores e as tensões que circulavam no ar e nos ânimos desembocaram no ataque organizado pelos índios que provocou a destruição da Missão e da Colônia e a matança dos frades, das Irmãs e de outras pessoas quer do lugarejo anexo à Colônia, quer das localidades vizinhas. O assalto transformou-se numa rebelião que envolveu toda a área, suscitando temores pela segurança da própria cidade de Barra do Corda e fazendo intervir a força pública num confronto armado contra os índios.

--- O surgimento do educandário São José da providência
---Após alguns anos passados da tragédia de Alto Alegre novamente surge iniciativas de presença na educação em Barra do Corda, desta vez com a presença das irmãs capuchinhas fundada por Fr. João Pedro.
---Existia a escola das meninas e a dos meninos, esta estava sob a direção de Ir. Helena. As atividades do educandário baseavam-se na educação básica com aulas pela manhã onde funcionava o curso fundamental do primeiro ao quinto ano e à tarde aulas livres de aprendizagens como: bordados, corte-costura, artes em madeiras. Oferecendo as famílias do interior a possibilidade do internato.
---Para educar as irmãs utilizavam-se de vários recursos: peças teatrais, esportes, festas culturais e religiosas. Praticamente todo o lazer da época na pequena cidade de Barra do Corda era organizado pela irmãs, como recordam os mais antigos.
---Dentre as irmãs que prestaram relevantes serviços no Educandário, citamos: Ir. Tomásia, Ir. Antonia Maria, Ir. Odila, Ir. Judite, Ir. Jesulina, Ir. Jesuína, Ir. Silvéria, a porteira, Ir. Otávia, Ir. Filomena e Ir. Helena. “Na antiga Igreja Matriz localizada no centro da praça Melo Uchôa as irmãs exerciam uma boa parte de suas atividades, entre estas a formação de um coral denominado “Coro Santa Cecília” formado pelas alunas do colégio São José da Providencia, que era organizado pela direção do próprio colégio. Na escola a assistência espiritual era importantíssima, antes do inicio das aulas faziam-se uma visita a Jesus sacramentado na capela de Santo Antonio. Iniciava os louvores com orações e cantos e a invocação ao Espírito Santo, depois deste momento dirigíamos para as salas de aulas, onde a professora fazia a chamada, que as segundas-feiras tínhamos que responder: presente! Fui a missa, comprovando a presença no catecismo aos domingos, por ser o dever dos alunos - testemunha a Sra. Rocilda Cunha”.


---A FUNDAÇÃO DO COLÉGIO NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
---Contextualização histórica
---A educação é fator de desenvolvimento da cidadania, que fundamenta e amplia a vivência da democracia; ter acesso à educação, sempre foi um processo marcado por embates e reviravoltas ao longo da história brasileira (ROMANELI, 1997, p. 98).
---Sendo uma prática social, a educação, não pode restringir-se apenas a teoria, sem compromisso com a realidade na qual vivemos. O saber só é eficiente quando se exerce na prática, de forma coerente e eficaz.
---Com esse intuito o Colégio Nossa de Fátima surge em Barra do Corda, em 1956 num contexto histórico de idéias que alimentaram intensamente projetos de uma nova realidade: uma educação democrática que favorecesse a convivência social de todos os cidadãos, promovendo o progresso econômico e a autonomia cultural deste município, contribuindo para uma sociedade mais igualitária.

---Aprovação da estrutura física para o funcionamento do ginásio e admissão dos primeiros alunos
---Fr. Simeão de Levate e Fr. Lamberto, com apoio da comunidade e das autoridades locais fundam o Colégio Nossa Senhora de Fátima. Dia 15 de outubro de 1955 houve a verificação prévia do prédio, foi designada para este ato, pela inspetoria regional de São Luis, a sra. Marilda Costa Alves. Após inspeção foi autorizado o funcionamento de quatro séries ginasiais, tendo como razão social “Ginásio Nossa Senhora de Fátima”. (CNSF, 1985).
---No dia 14 de janeiro de 1956 foi realizada uma reforma parcial do prédio onde foi adaptada uma sala para funcionar como diretoria e secretaria. O conjunto era espaçoso e funcional, seguindo as instruções do Conselho Estadual de Educação, conforme a portaria de maio de 1951.
---No dia 15 de dezembro de 1955 a comissão organizadora formada pelos professores José Maria de Carvalho, Frei Lamberto, Éden Salomão, Leonardo Silva, Galeno Edgar Brandes, Euclides Lima Rodrigues e o inspetor federal, Dr. Perdigão Freire, que presidiu os atos escolares, dando inicio aos exames de admissão, pré-requisito necessário para diagnosticar a qualificação e o preparo dos candidatos a serem admitidos ao ginásio.
---No dia 15 de fevereiro 1956 iniciaram-se os trabalhos de exame de admissão para os alunos da segunda época. Apresentaram-se 38 alunos todos foram aprovados, a comissão organizadora foi a mesma da anterior, a presidência esteve a cargo do Dr. Perdigão Freire.
---Solene inauguração do Colégio Nossa Senhora de Fátima
---No dia 26 de fevereiro de 1956, foi inaugurado solenemente o prédio, desenvolvendo-se um grandioso programa da inauguração. Estavam presentes as seguintes autoridades: Sua excelência, o bispo prelado de Grajaú Dom Emiliano José Lonati. O reverendo Fr. Adolfo de S. João, custódio provincial capuchinho; O Dr. Olivar Leite, representante do governador eleito Dr. Matos Carvalho, o prefeito de cidade, Sr. Walter Ribeiro Sampaio, o Sr. Juiz de Direito Dr. João Manoel de Assunção, o Sr. Promotor desta Comarca Dr. Eurico Arruda Filho, o corpo docente do ginásio, a diretora do educandário São José da Providência irmã Ilda, os alunos dos vários grupos escolares da cidade e os 83 alunos promovidos nos exames de admissão (CNSF,1985).
---Pelo programa convite distribuído a autoridades de Barra do Corda temos conhecimento da solenidade que marcou este jubiloso dia, acontecimento este que deixou marca indelével na história da educação da sociedade cordina e ficou como marco moral e cívico no meio estudantil.
---No livro de crônica escreveu o diretor “que Deus e Nossa Senhora abençoe este grande empreendimento e acompanhe a boa vontade do nosso povo, dos professores e do corpo discente no caminho da verdadeira sabedoria que é a fé nos supremos destinos”.
---Na mesma ocasião o bispo Dom Emiliano Lonati na solene missa campal e benzimento do colégio expressou sua alta admiração por este importante ato religioso-civil agradecendo a todos: os superiores, co-irmãos e alunos pelo bem que vão espalhar no sertão maranhense. Na noite em sessão extraordinária o diretor do colégio agradeceu aos superiores e ao povo em nome do bispo e apresentou, auxiliado na parte literária pelo poeta cordino o Sr. Olímpio Cruz o hino oficial do colégio, executado pelos alunos e pelo corpo bandistíco São Francisco, sobre a regência do maestro professor Edgar Galeno Brandes, e comentou: “hino que resume os santos asseios do povo barra-cordense sempre na vanguarda dos melhores ideais que o caracterizaram no passado”. No dia 01 de março deu-se início as aulas regulamentares.

---O primeiro corpo docente e admissão de novos professores
---O primeiro corpo decente foi assim formado:
1) Fr. Lamberto de Boltiere, Diretor e Professor de Latim (1ª Série), Francês (1ª e 2ª Série) e História da América (2ª Série).
2) Fr. Inocêncio de Racoty, Vice-Diretor e Professor de Latim (2ª Série), História do Brasil (1ª Série), Inglês e Português (2ª Série)
3) Professor Eden Arruda Salomão, Português (1ª Série).
4) Professor Euclides Lima Rodrigues, Geografia (1ª e 2ª Série).
5) Raimundo Leonardo Silva, Trabalhos Manuais para a turma masculina, Aritmética (2ª Série) e Desenho (1ª e 2ª Série)
6) Professor Galeno Edgar Brandes, Aritmética (1ª Série), Ed. Física e Canto Orfeônico para todas as turmas
7) Professora Áqueda Santos Andrade, Trabalhos Manuais turma para feminina;
O ginásio tinha como secretaria Ir. Consolata Maria, capuchinha, diplomada.
---Em março de 1957 foram assumidos os seguintes professores: Dr. Eligio F. Abbathe, ministrando a disciplina de Inglês sendo médico legal do estabelecimento, o Sr. Edson da Costa Gomes, funcionário da Colônia Agrícola Maranhense ministrava a disciplina de história, Fr. Paulino de Cellere, Vigário da paróquia e ex-diretor do ginásio “Nossa Senhora de Lourdes” em Mercejana, Ceará, ministrando a disciplina religião, e o Professor Galeno Edgar Brandes recebeu o autorização para ministrar aulas de desenho e trabalhos manuais.
---No dia 14 de março de 1957 iniciaram a fazer parte do corpo docente a diplomada Maria das Graças Teixeira Santos para a cadeira de Educação Física na turma feminina, a referida professora estava sobre a dependência direta do titular da cadeira o professor Edgar Galeno Brandes. Na mesma data, iniciou a trabalhar na secretaria Ir. Alódia, terciária capuchinha que tinha os seguintes registros: educação física, economia doméstica, trabalhos manuais e secretaria (CNSF, 1985).
---A inauguração da biblioteca
---Em 13 de março de 1957 foi inaugurada anexa ao colégio uma biblioteca estudantil, também aberta ao público, contendo em seu acervo 325 volumes, romances dos mais celebres autores, livros de literatura, ciências e artes, além de uma variada coleção de peças teatrais, líricas, trágicas, comédias, monólogos etc. Que estava sob a responsabilidade das alunas: Nelice Guimarães Silva, Maria de Lourdes Soares Santos e Lucimar Araújo

---Os eventos culturais
---Como eventos culturais ocorridos no ano de 1957, podemos enumerar, o solene e comovente drama “O Divórcio em Nossa Terra” em cinco atos, por ocasião do aniversário do diretor, apresentado exclusivamente pelos alunos do ginásio. Ensaiado e dirigido pela Sra. Luzia Ferreira Eugenio.
---Por ocasião do dia do trabalho, no 01 de maio de 1957, as comemorações foram iniciadas com a missa no pátio do Convento das Irmãs.Vários oradores discursaram. Após a celebração, no salão Pio XI, com a participação de alunos houve solene sessão cívica presidida pelo Sr. Galeno Edgar Brandes, que consistiu em discursos e números cívicos literários, destacando-se entre os oradores, o poeta Olímpio Martins Cruz e o professor Edson Costa Gomes.
---Registramos também a comemoração por ocasião do Dia das Mães, no dia 12 de maio de 1957, em uma sessão solene no palco do auditório Pio XI, estavam presente, alunos e alguns professores, o evento se revestiu de muito sentimentalismo, os alunos órfãos se fizeram ouvir e arrancaram dos assistentes copiosas lágrimas.
---No dia 07 de setembro de 1957, a comemoração pelo dia da Pátria teve a seguinte programação: às 06:00h missa solene com participação dos alunos, às 08:00h hasteamento do pavilhão nacional e desfile dos colégios pelas ruas da cidade, com uma concentração na praça Melo Uchôa, em frente ao palanque destinado as autoridades. Continuando as comemorações discursou o escrivão Almir Silva ao qual fez eco a oração do poeta Olimpio Cruz, entre os presentes estavam, o tenente Julio Elias Pereira, a professora Maria das Graças Santos, o professor Eden Arruda Salomão, e o professor Galeno Edgar Brandes além de alunos dos vários estabelecimentos de ensino.

---O Grêmio Cultural “João Lisboa”
---Os alunos do Colégio Nossa de Fátima, orientados pela direção, tendo à frente seu diretor Fr. Marcelino de Milão, resolvem fundar o Grêmio Cultural João Lisboa, que de acordo com seu livro de atas, termo de abertura datado de 15 de outubro de 1957, fora fundado em 9 de setembro deste mesmo ano, data esta, em que foi publicada uma portaria convocando as eleições da nova diretoria da recém criada Entidade. As eleições convocadas, foram realizadas em 19 de outubro, ficando a primeira diretoria assim constituída: Presidente, Hidelbrando de Melo Mota, Vice-Presidente, Ednan Araújo Morais, 1ª Secretária, Laura Carvalho Martins, 2ª Secretaria, Neide Soares Santos e Tesoureira, Raimunda Célia Chagas, a posse da nova diretoria recém eleita, deu-se na data de 1 de novembro de 1957.
---O Grêmio Cultural João Lisboa, em muito contribuiu com a Escola, tanto na parte cultural como administrativa, pois muitas de suas atribuições e responsabilidades que cabiam a diretoria, foram divididas com a diretoria da recém criada Entidade Cultural. Um dos grandes marcos do Grêmio Cultural foi a criação do jornal “A Juventude”, que teve grande participação nos eventos culturais da Escola. Anos depois foi criado pela mesma Entidade, o jornal “O Pássaro”, tendo à frente os jovens alunos Denes Arruda e Antonio Carlos Lima.

---Solene entrega de diplomas
---Os concluintes do ano de 1958, são os primeiros a serem diplomados, e foram transferidos de Grajaú, onde tinham iniciado o curso, por não haver em Barra do Corda. A programação da solene entrega dos diplomas aconteceu no auditório PIO XI, tendo a seguinte programação, ocorrida no dia 31 de dezembro de 1958. Abertura pelo Sr. Inspetor Federal; premiação dos primeiros colocados; discurso do Paraninfo; entrega dos certificados; saudação aos concludentes, Dr. Éden; discurso do orador da turma, Eurico; Palavra facultada; Hino Nacional.

---Construção da sede
---Fr. Marcelino de Milão, ajudado pelo professor Edgar Galeno Brandes, iniciaram o estudo de verificação do projeto, no final de1964, a obra tinha as seguintes características técnicas:
---Localização: a esquerda da estrada Barra-Cachoeira, mais de 0,5 Km da cidade; Área: 26.618,40 m2; Área construída: 932 m2; Indic: 1,6m2 p/ aluno.
---O projeto constava: Plantas baixas; Fachadas; Cortes; Planta de cobertura; Retalho de esquadrias; Instalações; Discursão da obra; Processo de execução; Materiais empregados; Cálculos estruturais;
---A responsabilidade técnica empregada: Projeto arquitetônico: Galeno Edgar Brandes; Cálculo estrutural: Expedito Leite Batista; Construtor: Fr. Virgínio;
---E no segundo semestre de 1965 deu-se a início a construção do prédio. Durante todo o ano de 1966 trabalhou-se na construção do andar térreo. No ano de 1967 o diretor monta a fábrica de ladrilhos hidráulicos, na área da escola, para conclusão dos serviços do piso da construção, é realizado também a construção da parte da alvenaria e vigas de concreto armado no pavimento superior do colégio.
---Em 1968 é feito o piso, o reboco, a cobertura, o muro e as grades. Neste ano a escola paroquial Pio XI torna-se Grupo Escolar Pio XI, o Estado assume o pagamento dos professores, encerrando-se as atividades do colégio e escola normal no prédio da referida escola, situada à praça “Melo Uchôa”.
---No dia 9 de março de 1969 tem-se inicio ao ano letivo no novo prédio construído na Av. Eliezer Moreira. O período noturno, permanece no prédio Pio XI, por não haver energia nas novas instalações.
---Em outubro de 1969 para comemorar o dia dos professores, o diretor e os professores do ginásio e de outros estabelecimentos, reuniram-se no novo prédio, para um momento de confraternização.

---Os convênios
---Embora sendo desde a abertura uma escola particular, no decorrer de sua trajetória para favorecer o ensino às classes populares, foram realizado alguns convênios com as entidades públicas municipal e estadual.
---Em 1966 realizou-se um convenio de gratuidade geral do ensino, firmado com a Secretaria dos Negócios do Estado, educação e cultura. Em 1969 é assinado o convênio entre a escola e a prefeitura para a gratuidade do ensino a cem estudantes pobres.

---As visitas e o parecer dos inspetores sobre a escola
---“De grande real valor para a comunidade o ginásio conta com o esforço, a capacidade de trabalho e organização, a assistência às atividades escolares, a acessibilidade, a idoneidade, e o entusiasmo pelo trabalho do Sr. Diretor e do corpo docente”. Registra a Sra. Alice Rodrigues em 19 de setembro de 1958.
---“A impressão geral do estabelecimento foi boa. Quanto ao corpo docente, verificou grande entusiasmo e abnegação não sendo menor do Sr. Diretor que não poupa sacrifícios para auxiliar a juventude dessas paragens esquecidas pelas nossas autoridades”, inscrito no dia 27 de maio de 1960 o texto é rubricado.
---“Prosseguindo nosso trabalho de orientação e de inspeção, visitamos o prédio do ginásio, observando o bom estado de conservação em que se encontra, pelo que louvamos o zelo e interesse do Sr. Diretor, no sentido de oferecer a comunidade um estabelecimento em condições materiais satisfatórias, assim como tendo um normal funcionamento das aulas”, inscrito no dia 18 de maio de 1961, pela senhora Alice Rodrigues de Carvalho, inspetora itinerante.
---“Em visita de orientação e inspeção a este ginásio no período de 07 a 10 do corrente, verificamos a estruturação escolar do referido estabelecimento, relativa ao ano letivo que está sendo concluído. Temos o prazer de registrar que encontramos todo o trabalho da secretaria em ordem e ressaltamos o interesse pelas aulas e a disciplina demonstrada pelos alunos, escrito a 10 de julho de 1962”.
---“Por determinação da inspetora seccional de São Luís, estive em visita ao ginásio Nossa Senhora de Fátima, nos dias 20 a 23 do corrente mês, para efeito de mudança de sede e legalização do 2º ciclo”.
---“É com prazer que deixo registrada a minha visita, onde encontrei um serviço organizado, satisfazendo as exigências da lei, parabenizamos o diretor e confiamos no seu espírito dinâmico pelo bem da mocidade desta terra”, registra a Sr. América de Carvalho Mendonça no dia 14 de outubro de 1969.
---“O prédio está bem localizado, oferece segurança, as instalações são modernas e o mobiliário regular, inscrito no dia 23 de abril de 1970 pela inspetora de ensino América de Carvalho Mendonça”.

--- O esporte
---O Colégio “Nossa Senhora de Fátima”, desde a sua fundação, sempre esteve presente em todas as competições esportivas realizadas na cidade de Barra do Corda, sendo seus alunos os idealizadores e responsáveis pela implantação do futebol de salão (agora Futsal) na cidade acima mencionada. A Escola ganhou projeção no futebol, quando nos anos 70 os seus alunos liderados por Pedro Melo Filho (veterano na Escola), organizaram-se e fundaram uma equipe de futebol de campo, dando-lhe o nome de Grêmio Esporte Clube, em uma homenagem ao Grêmio Cultural João Lisboa. Entidade esta dirigida por alunos escolhidos pelos demais, através de eleições diretas, esta Instituição foi uma das mais organizadas da Escola e, que muito contribuiu em sua parte cultural. Um fato curioso se destacava na equipe criada pelos alunos, as camisas usadas nos jogos tinham as listas em formas horizontais e, não em verticais como tradicionalmente (segue uma foto em anexo). Um ou dois anos depois esta gloriosa equipe veio a desligar-se do Colégio “Nossa Senhora de Fátima”, em decorrência do grande número de atletas que já não estudavam ou faziam parte da referida Escola. Sendo que o nome permaneceu com uma ligeira modificação, passando a chamar-se Grêmio de Futebol Barracordense, que chegou a ser vice-campeão do interior maranhense no final do ano de 1976, disputando com a equipe do Nacional de Codó a liderança do Intermunicipal do ano já mencionado, a duração desta valorosa equipe foi aproximadamente 20 (vinte) anos.
---A Escola sempre vem destacando-se como uma instituição que desenvolve também a saúde física do aluno; assim a escola alcançou muito brilho nos Jogos Intercolegiais de Barra do Corda-JEBC, criado pela Prefeitura Local no ano de 1979, suas participações são gloriosas chegando por várias vezes a ser a “Grande Campeã” das competições, nos três primeiros anos quando as competições estavam em alta no interior maranhense, a Escola sagrou-se tricampeã, papando os títulos de 1979, 1980 e 1981, tendo como principal dirigente seu diretor da época Fr. Jesualdo Lazari. Esta competição conta com as modalidades esportivas, futebol de campo, futsal, natação, voleibol, ciclismo, atletismo e outros.

---A creche
---A Creche Nossa Senhora de Fátima localizada no bairro Altamira, iniciativa de Fr. Lauro Crivellaro, para atender crianças de famílias carentes daquele bairro, de modo especial recebe-se crianças de pais que trabalham e não tem com quem deixar os filhos, as crianças destas famílias permanecem todo o dia na creche.
---Nos três últimos anos a creche foi ampliada, foram feitas instalações de melhoria na estrutura física, para um melhor atendimento das crianças dentro da funcionalidade higiene, é a nossa mínima contribuição para que essas crianças tenham dignidade.
---Para coordenar os serviços na creche, trabalha Ir. Socorro, capuchinha de Madre Rubatto, que com criatividade coordena os trabalhos, mencionamos também a Sr. Laura Pacheco, que como voluntária ajuda na secretaria e administração. Com esta atividade o CNSF participa da construção de uma sociedade justa, solidária, a serviço da vida e da esperança, contribuindo para dar condições dignas de vida, educação e um ambiente fraterno a estas crianças. --------Preocupando-se com o próximo, buscando atender às suas necessidades e desenvolvendo o espírito e a ação comunitária, trabalhando para que cada uma dessas crianças seja valorizada e reconhecida pelo ser.
---Nembro (1957) O acredita que em uma sociedade a serviço da vida, a vida dever ser preservada e promovida em todas as suas formas e estágios e todos possam ter condições de pleno desenvolvimento, de progresso constante e ninguém seja excluído.

---A presença evangelizadora no Colégio Nossa Senhora de Fátima
---No espaço escolar as interações humanas subsidiam a construção do conhecimento e contribui para a formação do educando. E neste espaço que o conhecimento posto a serviço do ser humano perpassa o desenvolvimento do educando, num processo de aprendizagem contínua, que está envolto pelas diversas dimensões: afetiva, física, intelectual, social e religiosa. São essas as dimensões, que fazem parte da sua vida, que o ajuda a compreender o que é ser gente. O ensino religioso considera toda essas dimensões.
---O Colégio Nossa Senhora de Fátima é uma escola fundada por frades capuchinhos, as escolas dos religiosos tem como objetivo, além de dar uma formação cultural que permita ao educando colocar-se integralmente na sociedade, deve oferecer também uma formação cristã, é meta da escola comprometer-se com uma educação evangelizadora no âmbito individual, comunitário e familiar, preocupa-se em transmitir aos educandos a vivencia do evangelho.
---A educação evangelizadora assume e completa a noção de educação libertadora, porque deve contribuir para a conversão do homem total, não só em seu eu profundo individual, mas também no eu periférico e social, orientando-o radicalmente para a genuína libertação cristã, que torna o homem a acessível a plena participação no mistério de Cristo ressuscitado, isto é, à comunhão filial com o Pai e à comunhão fraterna com todos os homens, seus irmãos...(PUEBLA, 1026 )
---O Colégio oferece momentos de oração, antes do inicio das aulas onde se invoca a bênção de Deus para o dia iniciado e também para as várias necessidades da cidade e do mundo inteiro. Os educandos dirigem-se às suas salas acompanhadas por música religiosa contendo mensagens de paz e otimismo.
---Valoriza-se o ensino religioso para despertar nos educandos a abertura ao sagrado tão necessário para uma compreensão do ser humano e de sua dimensão espiritual. Outro modo de evangelizar no Colégio Nossa Senhora de Fátima é a fixação no mural da escola, estampas e mensagens religiosas que acompanha o calendário religioso como meios visuais para passar valores incutindo nos educandos as mensagens cristãs. Acredita-se que a missão de evangelizar, é preciso utilizar-se de meios pelos quais se consiga levar as mensagens, tanto no aspecto dos valores sociais quanto dos espirituais.
---Em uma sociedade inundada de modismo, fantasias e ilusões, o papel evangelizador se faz necessário para resgatar, no pensar e agir nos educandos, os valores morais e espirituais tão aniquilados pela evolução dos tempos. Com sua presença evangelizadora a escola incentiva os educandos a buscarem uma aproximação maior com Deus.

---Pessoas que fizeram história no Colégio Nossa Senhora de Fátima
---Nesse quase meio século de caminhada faz-se necessário ressaltar o trabalho de algumas pessoas que não mediram esforços para transformar o sonho que deu início ao Colégio Nossa Senhora de Fátima em realidade.
---Fr. Lamberto de Boltiiere - primeiro diretor da escola. Chegou ao Brasil em 1947 e permaneceu até 1957. Professor no seminário seráfico e no estudantado de Guaramiranga, ensinou ciências naturais, matemática e filosofia. Foi exímio latinista e deixou belos poemas e versos. Foi também músico e compositor com que abrilhantou as solenidades litúrgicas por onde passou. Retornando a Itália, retirou-se em um convento, a cometido por paralisia, deu prova de grande interiorização do sofrimento e de espírito de oração. Faleceu aos 76 anos de idade.
---Dom Marcelino de Milão - Estudou medicina em Cicenza - Itália, veio ao Brasil em 1946. A partir de então ingressa no magistério. Primeiro no Piauí, depois em Fortaleza. Foi professor em Parnaíba, entre 1951 a 1956, destinado a Barra do Corda, onde a ordem, necessitava de um sacerdote com inclinação para o magistério, chega nesta cidade no dia 18 de maio de 1957, foi o segundo diretor do Colégio Nossa Senhora de Fátima.
---Médico, professor e pároco, dedicou-se as causas mais nobres que um homem pode exercer, durante o dia, coordenava o ginásio, ao sair, exercia oficio de médico na paróquia. Fez da escola instrumento valioso de apostolado no meio da juventude a da família. Como professor, um exemplo de sabedoria. Tinha facilidade em perceber qualquer conversa ou comportamento estranho em sala de aula.
---Fr. Marcelino ajudou no crescimento da cidade, homem de personalidade forte, e sorriso fácil, de coração frágil, bondoso e de grande cultura. Levou uma vida humilde de uma sutileza inimaginável. Patrono da cadeira de nº 20 da Academia Barracordense de Letras, também foi patrono da cadeira de nº 08 da Academia Imperatrizense de Letras.
---Sendo nomeado bispo da Igreja em Carolina é sagrado bispo aos 24 de outubro de 1971, deixando Barra do Corda e a direção do Colégio Nossa Senhora de Fátima.
---Em Barra do Corda, uma escola foi erguida em sua homenagem a “Escola Estadual Dom Marcelino de Milão” no bairro Altamira.
---Sobre o Fr. Marcelino escreveu no livro de crônicas no dia 13 de maio de 1970 o professor Galeno Edgar Brandes “Fr. Marcelino, entre nós mostrou profundas qualidades humanas e grades intuições de vida, numa perseverança inquebrantável. Teve a delicadeza peregrina dos grandes numa abnegação valente de desprendimento pessoal sem limites. Deu amparo de ensino com mãos mornas de amor, embora, os frutos verdadeiros, estejam por ser colhidos, não se podendo afirmar a curto prazo, ter sido boa a sementeira onde plantou. Oscilou, alimentou e procurou construir e instruir no bem, pobres crianças, tentando estipar na origem, os males da nossa sociedade. Grandes são as virtudes sacerdotais e não menores nos sentimentos humanos que lhe caracterizaram, unindo-os. A eterna gratidão dos funcionários e auxiliares-docentes do Colégio Diocesano”.
---Prof. Galeno Edgar Brandes - Nascido em Barra do Corda, foi aluno de música do professor Moises da Providencia Araújo, pertencia a banda de música São Francisco dos frades capuchinhos. Concluiu seus estudos na escola Técnica Federal do Maranhão como solista implacável do piston, instrumento musical de sua preferência.
    Como educador, auxiliou na fundação do Colégio Nossa Senhora de Fátima, onde exerceu o magistério, foi professor de matemática e desenho com Cursos de Formação Especifica e registro do MEC. Em 1961, ingressou na política local, e 1970 foi nomeado pelo governador José Sarney, professor secundário do Sistema Estadual de Educação, e dois meses depois é nomeado Administrador Regional da Secretaria de Educação, cargo que ocupou até 1972, quando fora nomeado pelo então governador Pedro Neiva da Santana, delegado regional de educação, fundando nessa época o Complexo Educacional de Barra do Corda, unindo as escolas existentes em programação adequada.
---Após 1974, dividiu seu valioso entre o exercício do magistério e na função de vice-diretor do Colégio Nossa Senhora de Fátima, instalado em suas novas dependências por ele projetadas. No ano de 1975 assumiu o cargo de diretor da Unidade Integrada Dom Marcelino de Milão, unidade por ele construído na época em que era prefeito municipal.

---Depoimentos de ex-alunos
>>Prof. Raimundo Nonato Mourão
---O Colégio Nossa Senhora de Fátima, foi tudo em minha vida. Aqui eu faço uma pequena síntese, do que foi para mim, esta gloriosa Escola, nela conclui meu Ensino Fundamental (antigo 1º grau), fiz três Cursos de Ensino Médio (antigo 2º grau), sendo eles: Cientifico, Contador e Normal, este último curso me deu a oportunidade de conseguir duas nomeações como professor do Estado. Nesta valiosa Instituição, iniciei-me como profissional, primeiro como Auxiliar de Secretaria, dois anos depois fui nomeado como Secretário, onde o fiz por oito anos, lá iniciei-me também como professor, onde lecionei as disciplinas, Matemática, na 5ª Série e, Técnicas Comercias na 8ª Série. Hoje eu sonho, um dia voltar como profissional ao Colégio Nossa Senhora de Fátima.
>>Sr. João Pedro
---No início de década de 50, fundava-se em Barra do Corda, o Ginásio Nossa Senhora de Fátima. Fundação este liderada pelo Superior Frei Simeão de Levati, como uma das obras mais nobres proporcionada pelos padres capuchinhos à comunidade de Barra do Corda. Este escola, veio dar a oportunidade aos jovens mais humildes de nosso município, para que interessasse no ginásio e depois partindo para um meio maior e tivesse a oportunidade de fazer um curso superior. Frei Simeão reuniu sob sua liderança uma média de 30 países de famílias e que chegaram ao denominador comum de cada um contribuir com uma parcela de 1.000,00 cruzeiros (Hum mil cruzeiros), na época, para ajuda da instalação da referida escola. Temos hoje comprovantes de que todas as professoras normalistas de Barra do Corda, passaram por este ginásio, bem como vários médicos desta cidade, vários advogados, dentistas, engenheiros, enfermeiros, jornalistas, poetas, escritores e oradores, todos com passagem pelo Ginásio Nossa Senhora de Fátima.
---Aí está provada a influência cultural que recebemos dos italianos representados em nossa cidade pelos padres capuchinhos e freiras, quando já antes haviam fundado o colégio Pio XI, colégio primário, uma escola de música e colégio São José da Providência dirigido pelas freiras, desde o ano de 1937. O Colégio Pio XI, teve como diretora a Ir. Helena da Acaraú que a dirigiu por 47 anos, está assim comprovada a influência cultural dos italianos na cultura dos barracordenses.

>>Antonio Augusto N. Machado Júnior
---Ainda hoje lembro como se fosse hoje do meu primeiro dia de aula no CNSF. Foi no início do ano letivo de 1988.
Lembro que não queria estudar lá, pois estava acostumado com meu antigo colégio onde estudava desde o maternal. Era o “Colégio das Freiras”, Escola Dom Valentino Lazzari. Estudei nesta escola até a 2ª série do 1º grau.
Quando ia começar a 3ª série do 1º grau fiquei sabendo que não havia alunos suficientes para formar uma turma e foi ai que começou minha história no CNSF.
Meu primeiro dia foi inesquecível, estava eu no pátio sem conhecer ninguém, num ambiente totalmente novo, onde todos eram estranhos, era a primeira vez que passava pelo drama do desconhecimento, que hoje se tornou comum em minha vida pois a todo momento me vejo em lugares que não conheço ninguém, mas mesmo assim me lembro do que eu pensei naquele dia: É tudo passageiro, logo-logo estarei conhecendo todo mundo e me sentei mais a vontade para brincar com todos. E realmente isso aconteceu e ainda acontece.
---Foram seis anos de convivência no CNSF. Lá fiz várias amizades, umas perdidas com a separação e outras até hoje duradouras. Lembro de quase todos que comigo estudaram; lembro das brincadeiras, brigas, nervosismo com provas e com novidades. Lembro do medo que tínhamos de tomar vacina quando era época de campanha, do desespero das meninas etc.
---Nesse Colégio passei de infância à adolescência e vieram as namoradas, as paqueras, os bilhetes, os encontros, as conversas sobre as novidades desta fase da vida.
Aprendi nesta escola a respeitar o próximo, me guiando pelo princípio da liberdade.
Foram vários momentos agradáveis e desagradáveis que passei nesse inesquecível Colégio.
---Lembro das aulas de educação física (que massacre) mas era para o nosso bem, era para aprendermos mais ainda conviver com as outras pessoas. Nesses aulas brincávamos bastante, mas também tínhamos momentos de seriedade como em todas as outras disciplinas.
---Além dos alunos e amigos lembro também dos professores, peças fundamentais, sem os quais não teria sido possível aprender todas aquelas disciplinas que nem sempre eram boas, mas que eles se esforçavam para torná-las tragáveis. Lembro do Professor Ismael com jeito durão, mas na verdade era boa gente, do Professor Luiz Carlos altamente religioso, que toda vez antes de começar a aula tinha o hábito de ler a bíblia para a turma, da Professora Rita de Cássia com seu jeito frenético de dar aula de ciências e todos os outros que também foram responsáveis pela minha formação pessoal e profissional. Não poderia deixar de lembrar da minha primeira professora, a Sra. Rebeca, a qual teve o trabalho de nos ensinar na terceira e quarta séries.
---Enfim, são momentos que ainda estão vivos na minha cabeça, mas que certamente não voltarão mais, pois é a vida, nós nascemos, crescemos, ganhamos o mundo e lembramos do passado como forma de reflexão sobre todos os atos realizados até hoje por nós, na esperança de não cometer os mesmos erros uma vez cometidos e sempre lembrar das coisas boas com a intenção de sempre repeti-las.

>>Venísia Maria Silva Ferreira
---Acredito na escola como parceira da família na construção e formação global do ser humano.
---A escola ideal é aquela na qual não aprendemos somente matemática, português, ciências, línguas estrangeiras, etc, matérias, sem dúvida, importantíssimas, mas acima de tudo aprendemos a respeitar as pessoas, amar e Deus a ao próximo indistintamente, preservar o meio ambiente e que desperte no educando o senso crítico, de ética, cidadania, justiça, honestidade... visão holística da educação: educar para a vida, para transcendência, para o amor e dignidade.
---Assim, estudar no Colégio Nossa Senhora de Fátima, um escola católica/confissional, onde se educa evangelizando e evangeliza educando, a exemplo de Maria, e os aspectos cognitivos, éticos, morais, espirituais, são valorizados e incentivados, foi o alicerce para que eu pudesse subir os degraus da vida para alcançar realização pessoal e profissional e a continuar sempre buscando o aprendizado constante.
Agradeço a Deus à Nossa Senhora, aos mestres, diretores e todos os funcionários que fazem a família Nossa Senhora de Fátima pela educação e atenção que conferem aos seus educandos.
---Sou grata também, ao Frei Paulo por me conceder a oportunidade de expressar o quanto o Colégio Nossa Senhora de Fátima, juntamente com meus pais, contribuiu na formação de minha personalidade.

Diocesano, sinônimo de amizade
por Heider Moraes
---Costumo dizer que a grande aula que o “Nossa Senhora de Fátima” me proporcionou foi conjugar estudos com amizade. Suspeito que houvera uma boa conspiração dos professores e funcionários que teriam essa meta basilar. E nós alunos, coniventes, soltamos a imaginação para fazermos da convivência estudantil uma extensão além muro colegial pela Barra do Corda e mundo afora.
---Os meus quatro anos no “ginásio”, como então era chamado o “Diocesano”, deu-se na década de 70. Na Barra, o prefeito era popular Fernando Falcão. Em Brasília, tempo de chumbo, da ditadura militar dos todo-poderosos militares. Na direção do Nossa Senhora de Fátima, frei Paulino de Cellere e Lamberto de Boltiere. O primeiro implantou um regime disciplinar rigoroso, um ditador, dizíamos inclusive à época. O outro era um Frei doce e democrático. Mas na prática a administração era conduzida pelo vice-diretor, uma espécie de primeiro-ministro, professor Galeno Brandes. Que habilmente fugia dos tempos bicudos de Brasília e elegia em cada sala de aula, pelo voto direto, representantes de turmas, inclusive para a entidade maior dos estudantes, o Grêmio Cultural João Lisboa.
---Creio que essa valorização que o professor Galeno Brandes dava ao “Grêmio João Lisboa” era para que nós, estudantes, não perdêssemos o viés da história e da cidadania. O professor Brandes tinha sido vereador e prefeito. Um dos melhores prefeitos da história barra-cordense. E passava-nos essa experiência de um modo socrático: pelo exemplo. Dava-nos voz e voto, mas exigia dos nossos ouvidos a controvérsia. Prática de democrata.
---Lembro que era uma alegria acordar cedo, mesmo nos dias chuvosos para assistir as aulas. Raríssimas vezes deixei de estar presente. Ia até doente, muitas vezes com febre. Na boa convivência, a doença se esvaia. Naquelas manhãs, principalmente no horário de recreio, traçávamos planos e os executávamos. Por nossa própria conta. Os livros da biblioteca foram a nossa primeira incursão (que ficavam em uma ampla sala no andar superior - hoje subjugada no andar térreo). Lemos alguns Machado de Assis e José de Alencar. Eram coleções bonitas e valiosas. Não podiam ser levadas para o aconchego das nossas casas.
---Mas haviam outras obras que poderiam ser levadas por empréstimos. Livros com boas histórias de aventuras, outros de românticos amores. Cada aluno tinha direito a somente um por semana. Então, fazíamos revezamento e líamos até oito em 15 dias. Eram fáceis de se ler. Pequenos tais quais os de bolso, parecidos com os populares bang-bang. A lembrança que tenho é que Pedro Caixa D’Água, José Renato, José Alexandre e eu lemos aquela coleção inteira.
---No ‘Colégio’ também tive uma pequena experiência em fazer jornal. Nada mais do que uns três números. Mas as lembranças são fortes até hoje. A dificuldade com a pauta (que notícias publicar?). Na redação, censurávamos qualquer referência as palavras subversivo e comunista. Que se impunham pelo medo. Aqueles assuntos eram coisas de escritores, artistas, professores, estudantes universitários e políticos de oposição.
---Afora a censura de cunho federal (subversivos e comunistas eram assuntos extirpados) recebíamos material farto, porém enfadonho, advindos de publicações católicas. Podávamos o que podíamos. Matérias frias que quando publicadas ninguém as liam. Essas dificuldades nos direcionavam para o caminho das pequenas notas. Quase todas sociais. De recados. De aniversariantes.
---Do tempo do jornal, que nos reuníamos por toda tarde no auditório que ficava no segundo andar, ficaram também a boa orientação da professora Delta Martins. A convivência leve e prazeiroza da redação. E o cheiro forte de álcool do mimeógrafo ‘cachacinha’. A folha do estêncil, matéria primeira de todas as reproduções. Também é inesquecível o trabalho que dava: desde a captação de notícias, passando pelo tic-tac datilográfico. Após a distribuição, recebíamos dos professores bons cumprimentos. Dos colegas do “Ginásio”, comentários gozativos e muitas vezes com pesadas críticas.
---De todas as experiências, a mais enriquecedora e duradoura foi na área esportiva. Futebolística. Nossa turma fundou o “Santos Futebol Clube”. Um time que saiu do “Diocesano” para a primeira divisão do futebol barra-cordense. O nosso principal rival era o “Grêmio”, que por sua vez também tinha igual origem. Quase dez anos antes da nossa geração ginasiana. Naquele time, que tinha uma estrutura modelar, além de atleta, Danilo Jorge e eu fazíamos cobertura jornalística para “o Pássaro”. Um trabalho pioneiro. Publicávamos naquele jornal semanal os jogos oficiais, assim como o dia-a-dia dos jogadores nos treinos do técnico Chico Rosa, no velho estádio Ariosvaldo Cruz, hoje erguido no seu lugar o colégio CAIC. Mas para fundarmos o “Santos”, primeiramente montamos um de futebol de salão. Fizemos amistosos entre os alunos das outras séries. Isso nos deu cancha para o salto maior: um time de futebol. Mas não podíamos contar com nosso Grêmio João Lisboa, que era manipulado por uma geração mais velha, que por sua vez dava apoio ao poderoso time do Grêmio. Usávamos na marra uma das duas bolas existentes. Decidimos então nos cotizar e compramos bola e equipagem e batizamos de ‘Santos Futebol clube’. A memória registra um dos primeiros amistosos no povoado Boa Vista. Campo pesado, cheio de areia. Juiz de cócoras no meio do campo. Era duro vencer. As condições físicas que iam quase todas nos deslocamentos que eram feitos de bicicletas.
---O “Santos” extrapolou nossas intenções. De repente, dividia a torcida cordina. De repente, fazia amistosos pelas cidades da região: Presidente Dutra, Grajaú, Tuntum e Colinas. Naquele tempo as estradas eram de piçarras, cheias de buracos. Aos domingos, em cima de carrocerias de caminhão, íamos e voltávamos numa algazarra sem igual. Na segunda-feira estava todo mundo lá, no ‘Diocesano’ comentando as gafes, as boas jogadas, as namoradas, as festas e, até mesmo, as primeiras e prazeirosas gotas alcoólicas. Um tempo todo plasmado para vivenciar todos os aspectos da boa amizade. Que tempo bom.
---Mas o ‘Diocesano’, como tudo no mundo, não era perfeito. É preciso que se registre que diante de todas essas iniciativas, de se fundar um time de futebol por alunos adolescentes, embora tenhamos procurado, não recebemos apoio da direção colegial. Um dos diretores era ferrenho disciplinador, conhecido entre nós como ditador. Trata-se de frei Paulino de Cellere. Mas de qualquer forma, tivemos professores de qualidade, um prédio parecido com uma Universidade e a natureza, obra do destino, concedeu-nos o encontro de uma geração de estudantes sem igual. Dívida que são traduzidas hoje em gratas lembranças.
---Quando estávamos se despedindo da 8ª série, alguns como eu, sabíamos que chegávamos ao fim de um ciclo. Teríamos que deixar o Nossa Senhora de Fátima, partir de Barra do Corda. Naquele dezembro com direito a missa de formatura li um pequeno mas emocionado discurso em plena igreja Matriz. Tinha sido escolhido o orador oficial. Com a voz embargada, disse do nosso agradecimento a todos, do significado do adeus entre nós estudantes, sublinhando que era impossível esquecer aquele tempo e os amigos. Imaginativa e pura verdade. Foi a última vez que vesti a farda do meu ‘Ginásio Diocesano’. Mas aquela turma ficara realmente para sempre entre as minhas recordações.
---Devo ainda frisar o quando foi importante o ‘Diocesano’ na minha formação. Até o próprio prédio com aquela grandiosidade, deu-nos direcionamento para procurar templos de igual formato. Foi o que muito de nós fizemos. Viajamos mundos à procura de mais conhecimentos. Mas àquela convivência. Sobretudo de amizade, foi por excelência vivida no Colégio Nossa Senhora de Fátima. Nunca tivemos aula de amizade. Essa matéria não existira. Também nunca a encontrei em outro lugar. Mas para mim, com a sensação de agradecimento, o ‘Ginásio Diocesano’ é sinônimo de plena amizade.

*Heider Moraes é jornalista
Hino do Colégio Nossa Senhora de Fátima*
Letra: Fr. Lamberto de Boltiere auxiliado na parte literária por Olímpio Cruz

I
Era denso o trevôr que cobria,
Toda fonte castélea do Corda,
Mas por Deus novo sol se irradia,
E eis que a luz da instrução se transborda.

II
Estribilho
Surge a luz no sertão maranhense!
Estudai, mocidade, estudai!
O que luta com fé, sempre vence,
Para o estudo garbosos marchai!

III
A Senhora de Fátima dos céus
Deu seu nome ao Colégio Cordino;
Certamente é um milagre de Deus
A amparar este templo de ensino.

IV
Valorosos rebentos da Atena
Maranhense radiosa e gentil,
Elevamos as glebas pequenas
E façamos maior o Brasil!

V
Juventude da terra Cordina,
Afastai-vos da antiga ilusão...
O saber é uma graça divina,
Estudai com fervôr e atenção

VI
Eia, pois, cada qual é um soldado.
Precisamos cumprir o dever,
O dever mais preciso e sagrado
Ir em busca do eterno saber!